BLATTER DIZ: OS INCOMODADOS QUE SE RETIRE
“Acabei de ser eleito para um quinto mandato, não pode haver muita coisa errada comigo”, afirmava Joseph Blatter pouco depois de vencer a última eleição da Fifa. Mandatário desde 1998, o cartola não sofria preocupação com as recentes prisões de dirigentes da entidade. Até ontem. Quatro dias após sua reeleição, Blatter renunciou ao cargo e deixará a presidência no fim do ano. Foi revelado como principal alvo da investigação do maior esquema de corrupção no futebol mundial. E com a queda do topo do “castelo de cartas”, uma questão gera tensão nos bastidores: quem será o próximo na mira do FBI?
LEIA TAMBÉM
Clima de tensão na CBF
Mauro Carmélio vê clima normal na CBF
Ásia e África garantiram poder de Blatter por 17 anos
Ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira indiciado por crimes fiscais
No dia anterior, o secretário-geral e braço direito do presidente, Jérôme Valcke, havia sido citado em documentos da polícia federal norte-americana como responsável por autorizar pagamento de US$ 10 milhões ao vice-presidente da Concacaf, Jack Warner, um dos sete dirigentes detidos na última quarta-feira. A partir daí, cresceu a expectativa do nome do cartola maior chegar aos holofotes da Justiça.
Agora Joseph Blatter cai para junto de seu secretário, Warner e mais uma lista extensa de “corruptores” (termo usado pelo FBI). Nela, inclui-se o ex-presidente e vice da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin, também preso por corrupção e outros crimes. No Brasil, o ritmo voraz das investigações chama atenção para o atual presidente da entidade, Marco Polo Del Nero. Há pressão, segundo informações da Folha de S.Paulo, do governo federal para que o cartola renuncie ao cargo nacional.
Ex-presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Nicolás Leoz também foi um dos presos. O atual presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, sofre com a pressão das investigações e dos opositores. Curral eleitoral de Blatter, o futebol das Américas ‘rachou’. A última eleição de Blatter foi apertada. Recebeu oposição que preocupou. Foram 113 votos contra 73 do príncipe jordaniano Ali bin Al-Hussein, candidato apoiado por federações da Europa.
O futuro político na Fifa, com as investigações, se torna, a cada passo da apuração policial, uma incógnita. A queda de Blatter resultará em nova eleição, entre dezembro e março. Presidente da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) e oposição fora da crise, Michel Platini aparece como nome forte, mas outros, incluindo Zico, dizem estudar candidatura. A certeza para quem vier é o barco em estado crítico.
Fonte: O Povo
