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FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DO CEARÁ


Em sua quinta edição, o Festival Internacional de Folclore do Ceará elege o intercruzamento de linguagens e vivências como o principal mote para a amplitude e o enriquecimento da identidade cultural local
Foi durante uma entrevista concedida ao jornalista paraibano Assis Ângelo, realizada em janeiro de 1979, que Luís da Câmara Cascudo (1898-1986) bradou: "Cultura popular é a que vivemos. É a cultura tradicional e milenar que nós aprendemos na convivência doméstica. A outra é a que estudamos nas escolas, na universidade e nas culturas convencionais pragmáticas da vida. Cultura popular é aquela que até certo ponto nós nascemos sabendo".
>>Descentralização cultural
>>No palco e além
>>O afro em evidência e discussão
Há um conceito intercambial de cultura embutido na fala daquele que prossegue como uma das principais referências no que toca ao estudo do folclore nacional. Na perspectiva levantada por Cascudo, a temática envolve o trânsito de saberes e experiências a partir do intercruzamento de olhares, com vistas a potencializar resultados maiúsculos de ação cultural e humana.
A quinta edição do Festival Internacional de Folclore do Ceará compreende a urgência de se desenvolver o assunto - visando alcançar, sobretudo, uma maior apreciação do público às raízes de sua cultura - e o elege como o principal mote para a condução da programação deste ano.
Além dos seminários, mesas de debate e apresentações dos vinte grupos cearenses, nacionais e internacionais participantes do evento - que acontece de 17 a 20 de novembro em diversos equipamentos culturais da cidade -, um dos principais chamarizes desta edição é o intercâmbio de experiências que deverá acontecer no próximo sábado (19) entre as companhias selecionadas para o festival.

A iniciativa é realizada pela primeira vez em cinco anos, feito que Ilka Salatielle - curadora e uma das organizadoras da programação - comemora. "É sempre pensando em expandir o que trazemos impresso no lugar onde vivemos. E, sobretudo, permitir que o festival não acabe no último dia de atividade, mas que promova a parceria entre os grupos, gerando empatia, amizades, variados trabalhos".
Metodologia
Apesar de o contato entre grupos ser efetivado durante toda a programação do evento, a proposta é que as sete companhias locais selecionadas - exceto o grupo Oré Anacã e TXAI Cia de Danças - recebam, em sua própria sede, a visita de pelo menos um dos grupos nacionais e internacionais que virão ao Ceará para se apresentar durante o festival.
Uma conversa inicial conduzirá os encontros - almejando o aprofundamento de detalhes sobre a atuação das companhias no lugar de onde elas vieram - seguida de apresentações de ambos os grupos. "Esse momento de troca é ímpar porque podemos conhecer melhor a cultura deles e repassar a nossa vivência, o nosso modo de olhar a dança, a música, a cidade em si, tudo sob a perspectiva das práticas folclóricas", salienta Sandra Veloso, coordenadora do Balé Arte Popular de Fortaleza, companhia com 23 anos de atuação na cidade e uma das homenageadas no festival.
O grupo em questão participa desde a primeira edição do festival e receberá em sua sede, a partir das 14h, o representante do Rio Grande do Sul, Böhmerlandtanzgruppe, companhia que enfatiza em seus trabalhos a tradição cultural alemã. De lá - pelo tamanho reduzido do local - todos partirão para o Clube da Caixa, onde haverá o contato mais efetivo entre ambos. "Vamos priorizar os principais pontos da história do folclore cearense e, claro, ouvir o que eles têm a nos repassar das práticas culturais deles", pontua Laura.
Para além da comunicação em si entre os pares, num belo movimento de alternância - ora repassando, ora incorporando conhecimentos - o momento também pretende potencializar uma maior afetividade entre os participantes, que poderão, inclusive, empreender trabalhos posteriores a partir dali.
DN