Origamista Letícia Silveira se dedica à arte das dobraduras, adotada como elemento decorativo até em festa de casamento
Letícia Silveira começou a dobrar papel como hobby e hoje vende as peças ( Fotos: Reinaldo Jorge )
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Reza a tradição japonesa que o grou é uma ave sagrada que simboliza a prosperidade, a saúde e a longevidade. Para celebrar essa fama, costuma-se dobrar um pedaço de papel até formar a imagem do animal, chamado pelos japoneses de "tsuru". Acredita-se que isso traz sorte. É tudo que se deseja na virada deste ano, não é mesmo?
Em Fortaleza, é nas mãos delicadas da artesã Letícia Silveira que diversos grous e outros bichos, como borboletas e elefantes, se formam, num passe de mágica, no exercício da arte milenar das dobraduras, que exige paciência, concentração e coordenação motora.
"Minha primeira dobradura foi um tsuru, símbolo máximo do origami. Gosto de sua simbologia positiva", diz.
Ela é uma das poucas origamistas em atividade no Ceará. Tudo começou como um hobby. Hoje Letícia recebe encomendas e mostra seu trabalho nas redes sociais, na sua página, a Let It Be, no Instagram (@letitbeoribook). O nome remete à famosa canção dos Beatles e une as iniciais dos apelidos dela e do marido, Fabiano, que é arquiteto.
"Sempre gostei de artes, de criar. Já fiz curso de aquarela, de biscuit. Gosto de descobrir coisas novas. Comecei a fazer origamis como passatempo e para presentear. Não tem terapia melhor, e o resultado é lindo", diz Letícia.
Xepa urbana
Na residência de Letícia, há uma mesa repleta de kusudamas (bolas de flores), que possuem, além do efeito decorativo, a fama de afastar maus espíritos.
"O origami oferece possibilidades infinitas como elemento decorativo", observa a artista das dobraduras, que também se dedica à encadernação artística, confeccionando agendas, álbuns e capas.
Letícia usa a internet para conhecer o trabalho de origamistas famosos, como os tutoriais de Jo Nakashima.
A filha, Marina, de 14 anos, também é entusiasta das dobraduras e segue os passos da mãe, participando de comunidades virtuais. Ela nos mostra origamis com menos de 1 cm de tamanho.
"Quando são muito pequenos, são chamados de nano-origamis", ensina Marina.
As encomendas estão frequentes: ela já fez até buquê de noiva para festa de casamento. Decoradores também costumam fazer pedidos, como uma cortina de tsurus.
Letícia diz que o origami favorece a saúde, pois ativa áreas do cérebro ligadas à memória e vira aliado na prevenção a doenças como o Alzheimer. Na hora da preocupação, dobrar papel relaxa.
Em janeiro, ela vai expor seu trabalho em uma feira na Avenida Beira Mar, a Xepa Urbana, no Parque Bisão, em frente ao Gran Marquise.
DN
