RUAS DE ARACATI CE GANHAM NOVO COLORIDO COM INTERVENÇÕES
Como o casario do Centro de Aracati é tombado pelo Iphan, nem todos os espaços puderam ser pintados
Aos poucos, as cores começam a fazer parte da Cidade, que contou também com oficinas, envolvendo artistas experientes e jovens da comunidade ( Fotos: Ellen Freitas )
00:00 · 11.02.2017 por Ellen Freitas - Colaboradora
Aracati A arte urbana deu um novo tom com cores vivas às ruas do centro de Aracati, no Litoral Leste cearense. A cidade, que já é famosa por abrigar um dos mais importantes centros históricos do Estado, agora ganha um novo olhar, em forma de murais e grafites, pintados em conjunto pelos artistas Narcélio Grud, Rafael Limaverde, Stefano Libertini e Maíra Ortins.
Cada um deles buscou trazer elementos do cotidiano e das características da cidade para os muros, propondo reflexões com os desenhos e chamando atenção para um novo olhar sobre a cidade. Os artistas também discutiram sobre arte urbana em oficinas e rodas de conversa, que contaram com a participação de artistas locais e jovens interessados no grafite e nas pinturas. Os momentos foram realizados no Centro da cidade e na Praia de Canoa Quebrada.
Interação
A principal proposta do projeto, de acordo com uma das produtoras do evento, Cristiane Pires, é proporcionar uma interação entre artistas locais e os artistas convidados, para um fortalecimento da atividade, chamando atenção da população para a própria Cidade. "Os jovens que estão participando e que nunca fizeram esse tipo de trabalho têm tido com eles uma experiência incrível, sendo um projeto colaborativo de todos, uns com mais experiência, outros com menos experiência. A ideia é isso, que somem, que eles possam desenvolver o trabalho a própria comunidade", afirma.
Além das oficinas que integraram a programação, houve intervenções urbanas com a pintura de murais. Mesmo havendo espaços limitados no Centro da cidade, onde o patrimônio arquitetônico é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), sendo proibida qualquer intervenção sem a aprovação do Instituto, houve alternativas que harmonizaram as pinturas e as paisagens naturais. Na manhã de ontem (10), o cenário escolhido foi a margem do Rio Jaguaribe, onde fica um dique que abriga as embarcações de pescadores locais. "Como o meu trabalho tem a ver com o mar e água, quando estávamos procurando, eu vi essa paisagem (Rio Jaguaribe) e disse para pintarmos esses barcos, por terem mais a ver com a cultura da cidade", contou Maíra Ortíns, uma das artistas convidadas do evento. Para ela, a arte urbana também precisa estar ligada com as paisagens e as particularidades de cada local. "Que paisagem você tem para me dar para que eu possa criar algo por cima? Quando vi os barcos pensei que tem tudo a ver", ressalta.
Conexão
Outro artista convidado, Narcélio Grud, destaca que, no projeto, há uma importância em fazer uma conexão entre a arte urbana, de caráter moderno, com a cidade, mais histórica. "Essa questão da arte urbana perpassa a da metrópole. A estrutura é basicamente a mesma, casas, ruas, uma estrutura de cidade, independentemente do tamanho. O que a gente tem de diferencial em Aracati é a parte histórica tombada, e trouxemos para dentro do trabalho, como característica particular da cidade".
A programação segue até este sábado (11), com roda de conversa sobre "Arte urbana e suas conexões" com a mediação de Maíra Ortins, a partir das 9h, no Jardim da Secretaria de Cultura, Turismo e Economia Criativa de Aracati.
Frases
"O que a gente tem de diferencial de Aracati é a parte histórica tombada e a trouxemos para dentro do trabalho"
Narcélio Grud
Artista
"Eu trabalho com o tema da água e cidades que têm mar, que têm rio, a presença da cidade é diferente"
Maíra Ortins
Artista
Fonte: DN
