Fiéis participam da 18ª Romaria do Caldeirão
O evento sempre é realizado em setembro, mês em que se comemora o Dia da Santa Cruz
Além dos cavaleiros, muitas pessoas foram até o Caldeirão de ônibus, carro ou a pé. Segundo a agente da Cáritas Diocesana, Verônica Carvalho, o que motiva os devotos é vivenciar a história do Cadeirão ( Foto: Antonio Rodrigues )
00:00 · 18.09.2017 por Antonio Rodrigues - Colaborador
Neste ano, representantes de movimentos sociais, lideranças comunitárias e religiosas plantaram mudas durante a celebração ( Foto: Antonio Rodrigues )
Crato. "Cultivar e guardar a natureza" foi o tema da 18ª Romaria da Santa Cruz do Deserto, realizada na manhã deste domingo (17), na comunidade rural do Caldeirão do Beato José Lourenço, em Crato. Sob o sol forte, a festa começou com a acolhida, seguida da celebração religiosa e apresentações culturais. Segundo a Guarda Municipal, cerca de três mil pessoas estiveram presentes.
O evento sempre é realizado em setembro, mês em que se comemora o Dia da Santa Cruz e, neste ano, representantes de movimentos sociais, lideranças comunitárias e religiosas plantaram mudas durante a celebração. "É uma simbologia que, há tempos, a Igreja vem celebrando. É importante para a questão social e ambiental. Fortalece o símbolo cristão. Todo cristão deve preservar o meio ambiente e participar dos movimentos sociais", acredita o aposentado Jeová Oliveira.
Memória
Segundo o padre Vileci Basílio Vidal, coordenador diocesano de pastoral da Diocese de Crato, a Romaria é um importante momento de celebrar a memória do Caldeirão do Beato José Lourenço como um lugar de inspiração. "O projeto camponês fica de pé. O Caldeirão mostrou que, para viver bem, é preciso viver em comunidade. Lá produziu bens básicos, autogestão, não havia distinção. O Caldeirão oferecia alimentação, água, moradia, remédios, trabalho e amparo espiritual", explica.
A Romaria da Santa Cruz do Deserto mobiliza, em sua maioria, moradores de comunidades rurais de Crato e de cidades vizinhas. Do distrito de Monte Alverne, por exemplo, mais de 100 pessoas, entre homens, mulheres e crianças, foram a cavalo. "A gente sai 6 horas da manhã e passa hora e meia até chegar aqui", conta o agricultor Antonio Júlio da Silva, que todo ano visita o Caldeirão.
Além dos cavaleiros, muitas pessoas foram até o Caldeirão de ônibus, carro ou a pé. Segundo a agente da Cáritas Diocesana, Verônica Carvalho, o que motiva os devotos é vivenciar a história do Cadeirão. "Hoje é um momento importante de educação popular, espiritualidade e de organização do povo. A gente vem sentir essa mística do Beato José Lourenço, que faz parte da história, da cultura do povo do Cariri e do Brasil, por que não?" Provoca Verônica.
O Caldeirão
Localizada a 33Km da sede do Município de Crato, o Caldeirão da Santa Cruz do Deserto fica entre os distritos de Monte Alverne e Dom Quintino. Lá, foi abrigo de centenas de flagelados da seca, devotos do Padre Cícero, que encontraram na comunidade alimentação, trabalho e refúgio espiritual. Sob a liderança do beato José Lourenço, cerca de 1.700 pessoas moraram ali, dividindo tarefas, fabricando instrumentos de trabalho, roupas e produzindo alimento.
Temendo que a comunidade se tornasse um movimento messiânico, o Governo Federal, em 1937, ordenou que as Forças Armadas e a Polícia Militar do Ceará invadissem o local. Alguns moradores do Caldeirão das Santa Cruz foram mortos e os sobreviventes foram expulsos de suas terras. O beato José Lourenço e seus seguidores fugiram. Até hoje, muitos corpos não foram encontrados e não há nenhum registro oficial do número exato de vítimas. A história do lugar foi contada no filme "O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto" (1986), do cineasta Rosemberg Cariry.
Fonte: DN


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