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Interior do Ceará enfrenta baixos índices de umidade


Iguatu registrou umidade relativa do ar com mínima de 13%, a mais baixa no Estado, em agosto passado
Conforme a Plataforma de Coleta de Dados (PCD) instalada em Iguatu, o índice ficou em 13%, o que é considerado estado de alerta pela OMS ( Foto: Honório Babosa )
00:00 · 05.09.2017 por Honório Barbosa - Colaborador
Iguatu. Neste início de "B-R-O-Bros", período que vai de setembro a dezembro, caracterizado por ausência de chuvas significativas e elevadas temperaturas no sertão cearenses, cidades do Interior registram baixa umidade relativa do ar, agravando as condições climáticas e a saúde dos moradores. Esta cidade registrou umidade relativa do ar com mínima de 13%, a mais baixa no Estado, em agosto passado. É um índice considerado de atenção para a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Quando a umidade relativa do ar cai para menos de 30%, a OMS recomenda que a exposição ao sol e a realização de atividades físicas devem ser reduzidas. Nos meses de agosto a novembro, praticamente não ocorre chuva no Ceará. Há apenas precipitações localizadas, de baixa pluviometria e reduzido número de cidades. Diante deste cenário, as regiões do Semiárido cearense têm quase que diariamente valores de umidade mais baixos que 30% durante os horários mais quentes do dia, que vão de 12h às 16h.
A OMS considera estado de observação os níveis de 40% a 31%. Quando a umidade cai abaixo dos 30%, há estado de atenção. Se a umidade atingir níveis entre 20% e 12%, ocorre o estado de alerta. Menos de 12% é um quadro bastante sério, conforme foi registrado recentemente em Mato Grosso.
De acordo com a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o município de Iguatu, no mês de agosto, registrou a umidade relativa mínima média mais baixa do Estado. Conforme dados da Plataforma de Coleta de Dados (PCD) instalada na cidade, o índice ficou em 13%, o que é considerado estado de alerta na classificação da OMS. Já Crateús, Quixeramobim e Tauá registraram umidade mínima média entre 16% e 18%, indicando também estado de alerta.
"Esses índices baixos se devem à época do ano, ao grau de interioridade (distância da costa) e às condições predominantemente secas do solo e da vegetação, diminuindo a evapotranspiração", explica o meteorologista e supervisor da unidade de Tempo e Clima da Funceme, Raul Fritz.
No próximo dia 22 ocorre o Equinócio de Primavera, no Hemisfério Sul, e em 21 de dezembro o Solstício de Verão. A inclinação do eixo da Terra e o movimento de translação fazem com que a incidência dos raios solares seja maior nesse período no decorrer do segundo semestre no Brasil que, aliado à ausência de chuva, contribui para a alta temperatura e baixa umidade relativa do ar.
Variação
A temperatura e a umidade relativa do ar variam entre horários e municípios. "Quanto mais distante do litoral, o ar tende a ser mais seco. Há, entretanto, variações entre um dia e outro, tanto de temperatura quanto de umidade do ar", reforça Fritz.
Nas últimas 48 horas, a cidade de Sobral registrou, segundo a Funceme, 36,3°C, seguida de Jaguaruana com 36,2°C. Já em Iguatu, ontem, a temperatura máxima chegou a 33°C e a umidade relativa do ar mínima foi de 22%. "O Ceará está muito próximo à linha do Equador e não temos no inverno ou no verão grandes variações de temperatura", explica Raul Fritz. "Já a partir deste mês a temperatura pode chegar a 39ºC em determinado dia e período da tarde".
Segundo o meteorologista, a variação de temperatura vai depender de circulação do ar com muita ou baixa umidade, vegetação, solo e nuvens. "Há a questão da sensação térmica, que nos dá a impressão de temperatura mais elevada, tempo abafado, quando os ventos cessam", pontuou Fritz. Há oito dias que não há registro de chuvas no Ceará.
"No Ceará, a umidade relativa do ar tende a diminuir geralmente no segundo semestre do ano, a partir do mês de julho, até o fim do ano, em virtude da sensível diminuição das chuvas nesse período. Isso se faz mais notável principalmente no interior do Estado. A faixa litorânea geralmente se apresenta mais úmida, ao longo do ano, em virtude da umidade proveniente da evaporação da água oceânica e que é trazida para o continente pelos ventos", afirma Fritz.
Os índices também podem variar de acordo com o horário. Em alguns dias desta época, principalmente entre 12h e 16h, a umidade do ar em Fortaleza, por exemplo, pode chegar perto de 30%. Vale considerar ainda que índices baixos não são tão comuns em cidades litorâneas. Porém, no dia 23 do último mês, por volta das 11h, a Capital registrou umidade mínima de 31%, a mais baixa de agosto na cidade, considerando as variações de horários. A média da mínima ficou em 31%, conforme a Funceme.
"A umidade relativa e a temperatura do ar estão relacionadas uma à outra, de forma que nos horários mais quentes do dia, principalmente no início da tarde, se tem a menor umidade relativa do ar. Com a temperatura mínima que ocorre durante a madrugada, perto do raiar do dia, a umidade do ar se mostra mais alta. Assim, pela madrugada e, ainda, no início da manhã se tem maior umidade relativa e, à tarde, a menor", explica o meteorologista Raul Fritz.
Fique por dentro
É preciso atenção redobrada com a saúde
A umidade relativa do ar é a razão, expressa percentualmente, entre a quantidade de umidade atmosférica, num determinado local, em certo momento e numa dada temperatura, e a quantidade de umidade que estaria presente se o ar estivesse saturado. Quanto mais baixa se apresenta a umidade relativa do ar, se pode dizer que mais seca (com menos vapor d'água) se encontra a massa de ar.
Quando a umidade relativa do ar cai para menos de 30%, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a exposição ao sol e a realização de atividades físicas devem ser menor. Neste período, o Ministério da Saúde indica também o aumento da hidratação, com água, suco natural e/ou água de coco.
Fonte: DN

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