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Labirinteiras de Aracati Ce recebem capacitação para arte de decoração


A capacitação valoriza o trabalho realizado pelas labirinteiras, garantindo a renda e a permanência na atividade. A renda de labirinto ganhou o mundo, pela beleza e arte. Das grandes mesas de banquetes, sobretudo, quando os membros das famílias eram mais numerosos, passou a enfeitar mesas de embaixadas brasileiras e a encantar àqueles que viam o primor e tenacidade das mulheres que trabalhavam nas peças. A questão é que as mesas já não são mais tão extensas e a dedicação ao exaustivo trabalho não tem uma compensação financeira à altura.
A saída foi proposta pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Ceará (Sebrae-CE), que não pensou apenas em garantir a sobrevivência do artesanato, mas também fazer com que essa atividade passasse a configurar artigos de decoração. Agora, é a Casa Cor Ceará 2017 que está na mira do trabalho dessas mulheres. Juntamente, com o labirinto, há artigos de palha de carnaúba, também com peças originais produzidas por artesãs de Aracati.
O analista técnico do Sebrae-CE, Jonas Vieira, lembra do velho dilema que ameaçava o atávico artesanato da região litorânea. Com o desinteresse das novas gerações, desmotivadas em aprender o manejo com as mães, a atividade também deixava de ser lucrativa, porque as grandes peças, além de caras, não tinham uma destinação econômica viável.
Ao mesmo tempo, a beleza dos bordados, que nunca deixou de causar fascínio, foi mapeada dentre os valores culturais da Rota das Falésias. O trabalho dos artesãos e rendeiras do Litoral Leste será diretamente beneficiado.
O roteiro integra os municípios da região do Litoral Leste e tem como objetivo unir esforços para ganhar em competitividade e sustentabilidade. A iniciativa é da Secretaria de Turismo (Setur), vinculada ao governo do Estado, juntamente com o Sebrae-CE, as prefeituras e os empresários locais.
Intervenção
O pesquisador e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Gilmar de Carvalho, vê com ressalvas a iniciativa. "Apesar de ser uma interferência pontual, creio que deva ser importante. Precisamos de políticas culturais que deem assistência ao artesão, de ponta a ponta do processo. Os analistas caem no equívoco de fornecer modelos e se envolver com a criação", diz.
Para Gilmar de Carvalho, um dos grandes desafios é escassez de matérias primas. Na sua opinião, o artesão precisa da matéria prima e esta escasseia, em algumas áreas, e de acordo com algumas tipologias. "Muitas loiceiras têm dificuldades de adquirir o barro.
O pessoal que trabalha com umburana (escultores e santeiros) do Cariri esbarra na proibição da comercialização desta madeira, que vem da Bahia, de Pernambuco e é confiscada pelos órgãos fiscais", afirma o pesquisador.
Agora, foram propostos novos materiais de labirintos. Ao invés do linho ou cambraia, a arte passou a aproveitar estopas, lonas de caminhões e telas de plástico. Com esses produtos, e com a orientação de designers, foram sendo criados jogos americanos, caminhos de mesa, dentre outros itens, mas sempre com padrão artísticos e que devem ser submetidos a uma curadoria por ocasião da mostra na Casa Cor.
Jonas conta que o Sebrae-CE montou um longo investimento em capacitação e na releitura dos fazeres habituais das comunidades de artesãos. Ao todo, 34 grupos de 24 municípios estão participando do Programa, resultado da parceria entre o Sebrae e Prefeituras.
"A ideia é gerar novas possibilidades para o uso do Artesanato na decoração. E isso inclui peças em renda de bilro, bordado cheio, fibra de caroá, bordado em bainha aberta, cerâmica, couro, tapeçaria, renda de filé, em couro de tilápia, tecelagem, crochê, palha de milho, fibra de taboa, trançado em palha de carnaúba e labirinto", disse a analista do Sebrae-CE, Ana Carla Luna. "Divididas em grupos distintos, cada artesã buscou encontrar, em suas respectivas tipologias, um futuro para as atividades que sempre garantiram-lhes o sustento mas que, apesar disso, começam a se perder no tempo, na memória e na vocação das novas gerações", avaliam os técnicos do Sebrae.
Em Aracati, por exemplo, as labirinteiras da cidade que participam do programa são de várias comunidades da cidade e adjacências, como Majorlândia, Canoa Quebrada, Córrego da Nica, Canavieira e Cumbe. Nas mãos, calos e mais calos de quem leva a vida a bordar.
Aposta
A opção pela Casa Cor, conforme Jonas, é apenas um dos recursos de difundir a arte e mostrar que é uma fonte de renda complementar. Durante a capacitação, as labirinteiras se reuniam no Centro de Artesanato da cidade. Lá, durante dias, pesquisaram e experimentaram novos materiais e formas para modernizar o ofício e fazer com que o bordado, trazido pelos colonizadores portugueses, ganhasse novas utilidades e um lugar de destaque dentre os adornos decorativos. "Ninguém mais quer fazer labirinto. As meninas não querem nem aprender e, quando aprendem, se negam a bordar", ressalta Márcia Maria Rodrigues. Por isso, há esperança e, mais do que isso, entendimento de que uma nova porta se abre.
Fonte: DN

Obstáculos

"Nossa grande dificuldade é criar novos mercados e também atrair novas gerações para que a atividade não pare"


Márcia Maria Rodrigues de Freitas

Artesã

"A falta de matéria prima tem nos atingindo. A palha da carnaubeira vem sendo extinta e é preciso que haja uma providência"
Fonte: DN

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